quinta-feira, dezembro 30, 2004

Maremoto devasta Sudeste asiático

No passado domingo, ao largo da ilha de Sumatra, Indonésia, o fundo do mar tremeu, provocando ondas gigantes, as denominadas tsunamis.
As enormes vagas atingiram as costas asiática e africana, provocando a destruição em vários países. Os mais atingidos foram a Indonésia (mais de 80 mil mortos) e o Sri Lanka (cerca de 29 mil), seguidos pela Índia, Tailândia, Birmânia e Maldivas. As águas atingiram ainda o outro lado do oceano Índico, provocando várias vítimas na Somália, Tanzânia e Quénia.
Está confirmadas a morte de mais de 125 mil pessoas, mas calcula-se que o número de mortos possas ultrapassar largamente os cem mil. Os corpos amontoam-se nas ruas e a possibilidade do surgimento de doenças e epidemias paira no ar. Não existe tempo para a realização de cerimónias fúnebres, e como tal os cadáveres são colocados em valas comuns ou incinerados em massa.
Sendo grande parte dos países atingidos, paraísos turísticos, existe um elevado número de vítimas estrangeiras. De facto, na região de Khao Lak, um destino turístico por excelência, as autoridades tailandesas acreditam que, por cada tailandês morto, dois estrangeiros terão perdido a vida.
Muitos são os que procuram familiares e amigos entre as dezenas de milhares de desaparecidos. Dirigem-se não só às morgues improvisadas como às equipas de resgate, porém, a existência de vilas inteiras cobertas de lama e de locais de destruição total dificultam o trabalho destas equipas e reduzem a possibilidade de encontrar sobreviventes.
Para auxiliar os que do outro lado do mundo tentam saber notícias dos turistas que se encontravam nos locais da tragédia, vários canais noticiosos, como a BBC, CNN e SkyNews, procederam à disponibilização dos seus sites para a colocação de pedidos de ajuda que possibilitem quaisquer informações relativas ao paradeiro dos seus familiares. A maioria permanece sem resposta, mas, mesmo assim, existem alguns casos de sucesso.
No que diz respeito aos portugueses que se encontravam nas zonas atingidas pela catástrofe, oito encontram-se desaparecidos e 22 permanecem incontactáveis. Foi avançada, pela agência Reuters, a existência da morte de um português, porém tal notícia não foi confirmada pelo governo.
A ajuda internacional já se faz sentir, proveniente de todas as partes do mundo, no entanto, a existência de estradas bloqueadas ou destruídas impedem a sua rápida actuação. Reina um sentimento de impotência quer por parte dos socorristas, quer por parte das próprias autoridades. "Fiquei devastado ao ver as testemunhas, as mortes e a destruição", afirmou o Presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono.

Iuchtchenko vence presidenciais na Ucrânia

Realizada no passado domingo 26, a repetição da segunda volta das presidenciais, na Ucrânia, teve como resultado a vitória de Viktor Iuchtchenko. O líder da oposição venceu com 52% dos votos, contra 44% do seu rival Ianukovitch.
A maior parte dos votos alcançados por Iuchtchenko foram obtidos, segundo sondagens da organização “Nacional”, na parte Oeste do país, com uma percentagem de mais de 92% contra apenas 12% a Leste. Com Ianukovitch o resultado foi o inverso, obtendo 6% a Oeste e 80% a Leste. Em Portugal, o voto foi claramente laranja, uma vez que, dos 6241 votantes, 6060 votaram em Iuchtchenko, alcançando este, assim, uma esmagadora percentagem de 97% dos votos, enquanto Ianukovitch não ultrapassou os 2,4%.
Não satisfeito com o resultado do escrutínio, Viktor Ianukovitch, que havia, anteriormente, afirmado ser capaz de reconhecer os resultados em caso de derrota, anunciou a intenção de impugnar as eleições e, como tal, apresentou quatro queixas ao Supremo Tribunal da Ucrânia, alegando “violações sistemáticas”.
Até à data, foram rejeitados três dos recursos, uma vez que "dois (…) foram interpostos fora do prazo e o terceiro não estava em conformidade", explicou a porta-voz do Supremo Tribunal, Liana Chlapochnikova. Esta afirmou também que o último recurso deveria ser examinado hoje.
Enquanto o resultado destes recursos não for pronunciado, a Comissão Eleitoral Central não pode anunciar um resultado definitivo, apesar do escrutínio ter sido considerado “livre e justo” pelos 12 mil observadores estrangeiros.
Caso este recurso seja indeferido, Iuchtchenko, que já se havia mostrado a favor da adesão da Ucrânia à União Europeia, promete tornar este assunto, o “principal objectivo” da sua política.

quarta-feira, dezembro 22, 2004

Processo Casa Pia: Carlos Cruz nega conhecer Carlos Silvino

As acusações entre os arguidos do processo da Casa Pia vão se arrastando a medida que o julgamento decorre. O principal arguido, Carlos Silvino (também conhecido por “Bibi”), afirmou ontem em tribunal que lhe foi apresentado o arguido Carlos Cruz junto à casa dos pastéis de Belém, pelo antigo secretário do apresentador, Carlos Mota. Afirmação que o apresentador refuta classificando-a de “pura ficção”. Carlos Cruz disse ontem que está preparado para ser confrontado com Carlos Silvino, que segundo o apresentador de televisão, tem mentido em julgamento. Relativamente ao facto de “Bibi” ter implicado o seu antigo colaborador, Carlos Cruz preferiu não fazer comentários nem “juízos de valores sobre pessoas que estão ausentes”.
A próxima sessão do julgamento está previsto para 10 de Janeiro altura em que o principal arguido, Carlos Silvino, será confrontado pelo Tribunal com documentos, segundo anunciou ontem a juíza presidente.

terça-feira, dezembro 21, 2004

Bruxelas chumba venda de património

A pouco mais de uma semana de acabar o ano, o Estado vê chumbada pela comissão europeia a sua proposta de cedência temporária de 65 imóveis à banca, como forma de evitar que o défice orçamental ultrapasse os 3,0% do PIB. Assim, ficam a faltar mais de 500 milhões de euros para que tal não aconteça. O Primeiro-ministro e o ministro das finanças enfrentam agora a possibilidade de ver o País enfrentar novo processo de Bruxelas por «défices excessivos», tal como sucedeu em 2002. Santana Lopes e Bagão Félix foram já convocados pelo Presidente da República e vão ser pedidas explicações.
A comissão europeia negou a operação por achar que se tratava de uma tentativa de gerar receitas correntes com base numa operação momentânea, com a finalidade exclusiva de reduzir o défice. Ou seja, lease back, que consiste na cedência de imóveis à banca, sendo o Estado o inquilino, a pagar rendas durante alguns anos. Este era um serviço prestado pela banca a troco de receitas imediatas, ficando o Governo a ter uma despesa a longo prazo. Deste modo, a CE vê o lease back como uma despesa e não como uma receita.
No entanto Santana Lopes e Bagão Félix afirmaram hoje ao país que o défice público português vai ficar abaixo dos três por cento e o Conselho de Ministros de quinta-feira irá aprovar novas medidas para conter o défice, não tendo apresentado, porém, nenhuma solução.
A cedência de imóveis "não foi uma solução de última hora. Há meses, esta solução foi apresentada ao pormenor ao Eurostat", afirmou o ministro das Finanças.
Espera-se então pelos próximos dias para ver qual a solução para este caso.

Fonte Dn e Público

domingo, dezembro 19, 2004

Portugueses alvo de atentados

Na madrugada de sábado os automóveis de dois empresários portugueses foram alvo de atentados na ilha da Córsega, em França. Não há qualquer registo de vítimas, apenas danos materiais em viaturas próximas e alguns vidros partidos de lojas e habitações provocados pelas
explosões. Segundo o jornal Público as explosões tiveram lugar no sul da Córsega com poucos minutos de diferença. A primeira ocorreu na cidade de Propriano e a segunda a 15 quilómetros, na localidade de Casalabriva. Não há até ao momento qualquer reivindicação do sucedido. Racismo não uma hipótese considerada pela polícia, apesar dos vários registos de atentados nos últimos tempos contra a população magrebina nesta ilha. Manuel Pracana Martins, cônsul português em Marselha, afirma estar a acompanhar o assunto. A polícia admite estarem em causa razões económicas, mas não adianta certezas sobre os autores ou o motivo dos ataques.
Os empresários portugueses no ramo da construção civil estão estabelecidos na Córsega há 30 anos.

sábado, dezembro 18, 2004

Sequestro em Atenas termina sem vítimas mortais

Terminou, finalmente, o sequestro de 23 passageiros, por parte de dois homens armados, nos arredores da capital grega. Os reféns permaneceram retidos num autocarro durante cerca de 18 horas.
Cerca das seis da manhã de quinta-feira (hora local), dois homens armados, presumivelmente de origem albanesa, apoderaram-se de um autocarro, exigindo um milhão de euros de resgate e transporte para o aeroporto de Atenas, onde pretendiam apanhar um avião com destino à Rússia. “Queremos ir para a ir para a Rússia, queremos ir para o aeroporto”, afirmou um dos sequestradores a uma estação de rádio privada grega.
A 15 quilómetros do local do sequestro, o autocarro foi interceptado pela polícia, que manteve um perímetro de segurança em redor do mesmo. Suspeitava-se da existência de granadas e de uma metralhadora a bordo do veículo dos serviços públicos de transporte grego. Os sequestradores ameaçaram fazer explodir o autocarro caso a polícia não abandonasse a local.
Finalmente, após cerca de 18 horas de sequestro, os últimos reféns, que haviam sido mantidos sem água ou alimentos por uma boa parte do tempo, foram libertados. Os sequestradores renderam-se e, mal o último refém foi libertado, a polícia entrou no autocarro para se certificar que não estavam mais civis no interior.
Numa primeira observação acerca do sequestro, Maria Bossi, especialista grega em questões de terrorismo considera que os dois raptores não eram “manifestamente terroristas ou membros de uma organização de crime organizado, uma vez que não demonstraram uma atitude de profissionais". Bossi refere que os dois homens não se portaram como “profissionais”, pelo contrário agiram como “pessoas desesperadas”.
Esta não é uma situação invulgar na Grécia, de facto, nos últimos cinco anos, este país foi já foi palco de mais três tomadas de reféns em autocarros. Porém, pode dizer-se que esta situação teve um melhor desfecho do que as restantes, não se verificando vitimas mortais ou feridos graves.

domingo, dezembro 12, 2004

Manso Preto condenado

Manso Preto, jornalista de investigação na área do narcotráfico, foi condenado a 11 meses de prisão com pena suspensa por 3 anos. Pela primeira vez em Portugal um jornalista é condenado em tribunal por não revelar uma fonte de informação.

Em Setembro de 2002 o jornalista foi constituído arguido após se ter recusado a revelar uma fonte de informação perante o juíz num processo de alegado tráfico de droga, recorrendo para tal ao direito ao sigilo profissional de fontes de informação patente no Código Deontológico dos jornalistas.
Maria Graça Mira, juíza do caso, referiu que não houve uma causa justa para Manso Preto desobedecer ao Tribunal da Relação de Lisboa, tendo como argumento que essa infomação ocultada era fundamental para a realização da justiça. À saída da sala de audiências, o jornalista afirmou sentir-se triste, pois "como jornalista sinto-me limitado, porque não pode haver informação sem fontes; e não havendo fontes, não há informação". Com 3 anos de pena suspensa ficará impossibilitado, neste período, de fazer investigação.
Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas (SJ), declarou que a sentença atribuída "mostra que vale a pena continuar a acreditar na firmeza que os jornalistas têm demonstrado para defender as fontes confidenciais da informação". O SJ refere ainda que o caso é "grave" na medida em que o jornalista "é condenado por cumprir um dos seus deveres essenciais" -proteger as suas fontes.

Fonte: Público

sexta-feira, dezembro 10, 2004

Presidente quebra o silêncio

Finalmente, após 10 dias de silêncio, o Presidente da Republica fala ao país relativamente à dissolução da Assembleia da República. Afirma que irá, de facto, proceder à dissolução do Parlamento e que as eleições estão marcadas para dia 20 de Fevereiro do próximo ano.
Numa primeira parte do seu discurso refere-se à razão do seu silêncio durante estes últimos dias relativamente a este assunto. Refere como principal causa da demora em esclarecer o assunto o facto de considerar necessária a votação para o Orçamento de Estado de 2005, pois entende que a sua ausência poderia comprometer o funcionamento da função pública. Apontou ainda a razão da existência de uma agenda rigorosa que deve ser seguida quando se trata de algo como a dissolução de um parlamento.
Achou pertinente relembrar que, aquando da saída de Durão Barroso, não considerou necessária a dissolução da Assembleia, desde que esta mantivesse uma consistência e fomentasse a estabilidade do país. Porém, considera que o país assistiu a uma “sucessão negativa de acontecimentos”, de incidentes e de descoordenações o que levou a um desprestígio e a “uma grave crise de credibilidade do governo”. Apesar de demonstrar o seu descontentamento esta situação não se terá modificado, o que se traduziu numa “acentuação da crise na relação de confiança entre o Estado e a sociedade”.
Por tudo isto, considera que a “a manutenção de funções do governo, significaria a manutenção da instabilidade”, de modo que só a dissolução parlamentar consistiria numa boa alternativa. Apela, assim, à serenidade por parte dos partidos políticos, e à participação no acto eleitoral por parte dos cidadãos portugueses.
A reacção dos vários partidos não se fez tardar e, como seria de esperar, o CDS PP e ao PSD demonstraram posições muito semelhantes. Ambos os partidos afirmam respeitar a decisão do Presidente, mas dela discordam completamente. Por seu lado, o Partido Socialista não poderia estar mais de acordo com o soberano, classificando as razões para a dissolução como evidentes, e considerando que a coligação não aproveitou a oportunidade que o Presidente lhes deu. Deixam o apelo, já em forma de campanha eleitoral, de que “quem quiser mudar para melhor votará no Partido Socialista”.

ETA volta a atacar

O dia da comemoração do 26º aniversário da Constituição Espanhola, 6 de Dezembro, foi marcado pela explosão de sete bombas de fraca potência no território espanhol. Cinco pessoas ficaram feridas, entre as quais dois polícias.
As explosões ocorreram pelas 13h30 (12h30 em Portugal), em sete cidades espanholas: Ávila, Valladolid, Léon e Santillana del Mar a norte; Ciudad Real no centro; e Málaga e Alicante a sul do país.
Menos de uma hora antes das detonações, o diário basco “Gara” recebia dois telefonemas, de um porta-voz da ETA, indicando o local exacto e a hora das explosões. As autoridades espanholas foram alertadas e, segundo o Ministério do Interior, cerca de meia hora depois, haviam procedido à evacuação das várias ruas, praças e parques de estacionamento das cidades visadas.
Este método de pré-aviso é usado com frequência pelo movimento separatista basco. De facto, apenas dois dias antes, no sábado, haviam deflagrado outras cinco bombas em estações de serviço situadas nos arredores de Madrid, e também neste caso um aviso foi emitido pouco antes das explosões.
Em declarações prestadas nas Cortes espanholas, onde seguiam as comemorações do aniversário da Constituição, o Primeiro-ministro espanhol, José Luís Zapatero afirma que “a ETA sabe que o Estado de Direito, a democracia, é, tem sido e será, muito mais forte do que qualquer intenção de mudar as regras através da violência”.
É de notar que esta sucessão de ataques acontece pouco tempo depois das declarações, por parte das autoridades espanholas, de que a organização estaria extremamente fragilizada após as detenções de dois dos seus líderes, em Outubro passado.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

SIC fecha as portas em Braga

A delegação da SIC em Braga vai encerrar as suas portas no presente mês de Dezembro depois de cinco anos de trabalho mediático. A administração da SIC explica a decisão como sendo resultado da necessidade de harmonização da estrutura de correspondentes no mapa.
A delegação que sempre funcionou nas instalações da UM, existe desde 1999 altura em que a SIC estabeleceu um protocolo com a Universidade do Minho, cujo objectivo inicial era facilitar o processo de estágio e a integração dos alunos na vida jornalística. No entanto, apesar do protocolo existente entre as duas entidades o projecto não se circunscrevia apenas a assuntos ligados à Universidade tendo englobado todo o tipo de reportagens, e directos entre outros. O trabalho era desenvolvido sempre em coordenação com Porto e Lisboa
Questionado pela UMjornal acerca desta situação, um dos jornalistas que fazia parte da equipa inicial da delegação, Nuno Prudêncio, lamenta que o” Minho volte a uma relativa obscuridade mediática” com a saída da SIC, e afirma que “a actualidade minhota justifica a existência de uma delegação, e até o seu reforço”
Segundo a UMjornal, a proximidade com o Porto terá estado na origem do encerramento e a solução passa, possivelmente, pela integração dos membros desta equipa na delegação do Porto.

Fonte: UMjornal nº17

sábado, dezembro 04, 2004

Ilegalidades conduzem a nova votação na Ucrânia.

Após a controvérsia provocada pela suspeita de irregularidades no acto eleitoral da Ucrânia, o Supremo Tribunal decidiu anular a segunda volta das eleições.
Segundo Ruslan Kniasievich, da Comissão Eleitoral Central da Ucrânia, um milhão de votos terão sido adicionados aos das urnas, após o fecho das mesmas. Kniasievich aponta como provável origem das falsificações o sistema electrónico de contagem. “Os códigos electrónicos de acesso ao escrutínio estavam nas mãos de certas forças. Esses códigos desapareceram um dia antes da votação e foram entregues não se sabe a quem”.
Devido à comprovação das várias ilegalidades, foi ordenada a realização de uma nova segunda volta. A notícia foi considerada uma vitória quer por Iuchtchenko (líder da oposição), quer por grande parte da população. Quem não ficou tão satisfeito foi Leonid Kutchma (presidente cessante da Ucrânia) que, assim como Vladimir Putin, se havia mostrado a favor da realização de novas eleições presidenciais, e não apenas da repetição da segunda volta.
Iuchtchenko e Kutchma concordam, no entanto, numa coisa: a realização do novo escrutínio deve ser executada o mais breve possível, uma vez que, como afirma Kutchma, “não podemos deixar que as coisas se arrastem”. A realização da segunda volta tem data marcada para 26 de Dezembro, de acordo com o Supremo Tribunal da Ucrânia.

Fonte: SIC e Público